Fluminense demite Luis Zubeldía antes da decisão na Libertadores
A troca acontece com a eliminatória continental aberta e depois de sete jogos sem vitória desde a pausa. Marcão volta ao comando interino com pouco tempo para mexer e nenhuma margem para promessas vazias.

Fluminense confirma a saída de Zubeldía
Luis Zubeldía não é mais técnico do Fluminense. O clube anunciou a saída nesta quinta-feira, um dia depois do empate sem gols com o Independiente Rivadavia no Maracanã, pela primeira partida das oitavas de final da Libertadores. Também deixam o clube os auxiliares Maxi Cuberas, Carlos Gruezo e Alejandro Escobar, além do preparador físico Lucas Vivas.
O auxiliar permanente Marcão assume interinamente. A mudança acontece num dos pontos mais delicados da temporada: o confronto continental está empatado, a volta será fora de casa e o calendário oferece poucos treinos para alterar mecanismos. Trocar o comando é uma decisão imediata; mudar uma equipe continua exigindo tempo, mesmo quando o relógio se recusa a colaborar.
Sete jogos sem vitória aumentaram a pressão
Desde a paralisação para a Copa do Mundo, o Fluminense acumulou seis empates e uma derrota. A sequência não representa um colapso de resultados, mas revela dificuldade para transformar equilíbrio em vitória. O time também foi eliminado pelo Vasco na Copa do Brasil, ampliando o peso colocado sobre cada atuação seguinte.
O 0 a 0 com o Independiente Rivadavia repetiu parte do problema: posse e tentativa de controle sem eficiência suficiente para construir vantagem. Em mata-mata, empatar em casa não encerra a disputa, mas transfere toda a pressão para noventa minutos fora. A diretoria decidiu que Zubeldía não seria o treinador desse próximo capítulo.
O timing da demissão é o centro do debate
A saída antes de uma decisão de Libertadores provoca uma pergunta inevitável: o choque de comando pode produzir resposta rápida ou retira estabilidade justamente quando ela é mais necessária? Não existe resposta automática. Uma troca pode simplificar mensagens e recuperar confiança, mas também reduz o tempo para preparar detalhes específicos do adversário.
O Fluminense não precisa apenas de uma reação emocional. Precisa melhorar a ocupação da área, acelerar a circulação quando o rival fecha o centro e impedir contra-ataques depois de perder a bola. Motivação ajuda a correr; organização decide para onde correr. Marcão terá de cuidar das duas coisas em dias, não em semanas.
Marcão volta a uma função conhecida
Marcão é auxiliar permanente e conhece o elenco, o ambiente e a pressão do clube. Já foi chamado repetidas vezes para assumir interinamente em momentos de transição. Essa familiaridade reduz o tempo gasto com apresentações e permite começar pelo que importa: recuperação física, ajustes de estrutura e escolha do time.
A vantagem de conhecer a casa não elimina o tamanho da tarefa. O interino terá primeiro o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, e depois a volta da Libertadores contra o Independiente Rivadavia. São adversários, contextos e exigências diferentes. Usar o primeiro jogo como laboratório não significa tratá-lo como amistoso; significa obter informação competitiva sem perder de vista os pontos em disputa.
O que precisa mudar até Mendoza
Com o placar agregado em 0 a 0, uma vitória simples na Argentina classifica o Fluminense. Novo empate leva a decisão para os pênaltis. O objetivo tático será criar mais finalizações de qualidade sem abrir o corredor central. Atacar com muitos jogadores é útil; perder a bola com todos à frente dela é um convite.
A equipe precisa encontrar profundidade e presença simultâneas. Se os pontas ficarem sempre abertos, a área perde gente. Se entrarem cedo demais, o campo encolhe e facilita a marcação. O equilíbrio passa pelo tempo dos movimentos e pela capacidade de atrair o adversário antes de acelerar. Em Mendoza, circular por circular será apenas uma forma elegante de gastar minutos.
A passagem de Zubeldía
Contratado em setembro de 2025 com vínculo previsto até o fim de 2026, Zubeldía chegou ao Fluminense depois de trabalhos em clubes como Lanús, LDU, São Paulo e Racing. O argentino assumiu com reputação de treinador intenso, atento a duelos e confortável em competições eliminatórias.
A avaliação de um trabalho não cabe apenas no último resultado. Houve períodos competitivos e uma campanha que manteve o clube em posições relevantes, mas a sequência sem vitórias e as eliminações reduziram a margem de confiança. A diretoria optou pela ruptura antes do fim da Libertadores — uma escolha que será inevitavelmente julgada pelo que acontecer a seguir.
O que acontece agora
Marcão dirige os próximos treinamentos e prepara a equipe para enfrentar o Palmeiras no sábado. Depois, toda a atenção se desloca para o jogo de terça-feira, 18 de agosto, em Mendoza. Eventuais mudanças definitivas no comando devem ser comunicadas pelo clube; até lá, nomes citados no mercado são apenas especulação.
Para o torcedor, a troca produz ansiedade e esperança na mesma medida. Para o elenco, produz uma responsabilidade mais simples: não existe mais a possibilidade de atribuir a sequência ao treinador que saiu. O Fluminense mudou a voz no banco. Agora precisa mudar a resposta no campo.
Política de correções: se uma entidade oficial alterar resultado, horário ou informação, esta página será atualizada e manterá visível o horário da última revisão.


